Taxonomia de Investimentos: Entendendo as Categorias

Taxonomia de Investimentos: Entendendo as Categorias

No contexto global de transição para um modelo econômico de baixo carbono e maior justiça social, a criação de uma taxonomia sustentável se torna essencial. Ela oferece uma base sólida para orientar investidores, formuladores de políticas e empresas rumo a práticas que gerem benefícios ambientais, climáticos e sociais.

Definição e Conceito Geral

Uma taxonomia sustentável é um sistema de classificação padronizado e transparente que identifica atividades econômicas, ativos e projetos como sustentáveis a partir de critérios científicos objetivos. Seu foco principal é assegurar a contribuição substancial para mitigação climática e adaptação, sem não causar dano significativo a outros objetivos ambientais.

Contrastando com as taxonomias verdes tradicionais, que muitas vezes carecem de salvaguardas, a abordagem brasileira incorpora mecanismos de prevenção de greenwashing e impactos negativos, garantindo que cada atividade classificada atenda a padrões rigorosos de sustentabilidade.

No Brasil, a Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), instituída pelo Decreto 12.705/2025, integra o Plano de Transformação Ecológica do Ministério da Fazenda e define diretrizes para investimentos alinhados a metas de clima, meio ambiente, desenvolvimento social e equidade.

Objetivos Estratégicos da TSB

A TSB foi concebida com três propósitos centrais que reforçam seu papel transformador:

  • Mobilizar e redirecionar capitais públicos e privados para atividades com impactos ambientais, climáticos e sociais positivos.
  • Estimular o adensamento tecnológico para sustentabilidade, elevando a competitividade e produtividade.
  • Estabelecer bases robustas para informações confiáveis sobre fluxos de finanças sustentáveis, incluindo monitoramento, relato e verificação (MRV).

Esses objetivos respondem a compromissos internacionais de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e visam evitar barreiras nas exportações brasileiras, ao mesmo tempo em que promovem um desenvolvimento inclusivo e regenerativo.

Categorias e Classificação de Atividades

A TSB organiza-se em cadernos técnicos setoriais, baseados na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). Cada caderno define critérios para:

  • Contribuição substancial: mitigação e adaptação climática.
  • Não causar dano significativo (DNS) a outros objetivos ambientais.
  • Salvaguardas sociais: redução de desigualdades regionais, de gênero e raça.

O primeiro caderno, destinado ao setor agropecuário (CNAE A), corresponde a cerca de 7% do PIB brasileiro e R$ 72 bilhões em exportações. Ele cobre atividades como produção de soja, milho, café, cacau, pecuária bovina, eucalipto, regeneração florestal, pesca e aquicultura.

Para cada atividade, são definidos requisitos como uso de biodigestores, manejo integrado de fogo, irrigação eficiente, conservação de polinizadores e proibição de agrotóxicos altamente tóxicos. Programas de incentivo financeiro, como o Plano Safra, RenovAgro, Proirriga e Pronaf Agroecologia, reforçam a adoção dessas práticas.

Desenvolvimento e Cronologia

O desenvolvimento da TSB envolveu diversas etapas colaborativas, com participação de órgãos públicos, universidades e setor produtivo:

  • Publicação da série “Cadernos da Taxonomia Sustentável Brasileira” pelo Ministério da Fazenda, com aporte de 42 pesquisadores da Embrapa.
  • Consulta pública de novembro de 2024 a março de 2025, incluindo debates virtuais e audiências.
  • Publicação do Decreto 12.705/2025, consolidando a TSB como instrumento mandatário no Plano de Transformação Ecológica.
  • Primeira edição focada em mitigação e adaptação climática, além de redução de desigualdades de gênero e raça.

O esforço buscou também garantir interoperabilidade com taxonomias internacionais, fator crucial para atrair investimentos globais e evitar divergências metodológicas.

Benefícios e Impactos

Para investidores e empresas, a TSB fornece uma orientação clara para escolhas sustentáveis, limita práticas de greenwashing e amplia o acesso a financiamentos verdes e títulos sustentáveis. Economicamente, ela facilita o redirecionamento de capitais para uma transição justa, conectando ciência, política e prática.

No setor agropecuário, o equilíbrio entre segurança alimentar e conservação se torna mais factível, pois tecnologias resilientes ajudam a mitigar vulnerabilidades climáticas, preservando recursos naturais e impulsionando a produtividade.

Desafios e Considerações

Apesar dos avanços, a implementação da TSB enfrenta obstáculos que devem ser superados para ampliar seu alcance:

  • Aplicabilidade regional: adequar critérios a diversidade de realidades e pequenos produtores.
  • Interoperabilidade com taxonomias internacionais, como a da União Europeia.
  • Monitoramento transparente para evitar desvios e garantir transição inclusiva.
  • Definição de metodologias para MRV que sejam robustas e acessíveis.

Esses pontos exigem diálogo contínuo entre governo, iniciativa privada e sociedade civil, assegurando que a taxonomia evolua de forma dinâmica, ampliando seus benefícios sem excluir atores-chave.

Em síntese, a Taxonomia Sustentável Brasileira representa uma ferramenta estratégica para catapultar o país rumo a um modelo de desenvolvimento mais verde, inclusivo e competitivo globalmente. Sua adoção e aprimoramento são passos determinantes para consolidar o Brasil como referência em finanças sustentáveis.

Por Fabio Henrique

Fabio Henrique