Protegendo Seus Dados no Cartão Online

Protegendo Seus Dados no Cartão Online

Na era digital, proteger suas informações financeiras é tão importante quanto cuidar do seu patrimônio físico. A internet trouxe conforto e agilidade, mas também multiplicou os vetores de ataques contra consumidores e empresas.

Neste guia, apresentamos um panorama completo sobre fraudes com cartão no Brasil e no mundo, além de práticas, tecnologias e responsabilidades para você navegar online com segurança.

Cenário das Fraudes no Brasil e no Mundo

No Brasil, dados recentes mostram que quase 20% dos brasileiros já enfrentaram fraudes em compras online com cartão de crédito. A pesquisa “Impressões Digitais” da Kaspersky revela que 70% da população possui três ou mais cartões, o que amplia as chances de exposição de dados.

Mesmo assim, 69% dos consumidores latino-americanos subestimam os riscos ao cadastrar informações em aplicativos e sites. Em 2024, 48% das pessoas entrevistadas relataram ter sido vítimas de golpes envolvendo cartão, contra 39% em 2023, conforme levantamento da Febraban Tech.

Globalmente, o relatório Nilson Report apontou US$ 28,65 bilhões em perdas por fraudes de cartão em 2021. Nos Estados Unidos, para cada dólar perdido, varejistas e lojas online gastam US$ 3,75 em prevenção, atendimento e ressarcimento. E o fenômeno CNP (Card Not Present) é 81% mais comum que fraudes no ponto de venda físico.

Esses números mostram que as transações eletrônicas são um terreno fértil para golpistas, especialmente em um momento de expansão do e-commerce, que cresceu mais de 20% nos últimos dois anos. A falta de conscientização e hábitos inseguros tornam o usuário e a plataforma vulneráveis a ataques sofisticados.

Estudos do Serasa apontam que 48% dos brasileiros deixam cartões cadastrados em sites e aplicativos, posição compartilhada com a Argentina. Essa realidade demonstra a urgência em mudar hábitos antes que novas vulnerabilidades sejam exploradas.

Principais Formas de Fraude com Cartões Online

Compreender as técnicas mais usadas pelos criminosos é essencial para adotar defesas apropriadas. A seguir, veja as táticas mais recorrentes:

  • Fraudes CNP (Card Not Present): confirmação de compras via dados apenas numéricos, sem necessidade do cartão físico.
  • Phishing e engenharia social: e-mails, SMS ou mensagens fingindo ser de empresas confiáveis para capturar login e senha.
  • Ataques a sites e empresas: malwares como Magecart injetam código malicioso em páginas de pagamento para roubar dados digitados.
  • Conexões Wi-Fi públicas: redes sem criptografia permitem interceptação de informações sensíveis transmitidas.
  • Malware e vírus em dispositivos: programas ocultos coletam dados ou redirecionam transações para contas controladas por fraudadores.

Além desses, há golpes emergentes que combinam deep fakes para simular atendentes bancários e invasões a sistemas de ponto de venda (PDV). Grupos como Prilex no Brasil têm se especializado nesse tipo de ataque, que pode gerar transações fantasmas sem que o cliente perceba imediatamente.

Outro vetor crescente é o vazamento de bancos de dados, que expõe listas de cartões completos sem controle do titular. Em 2025, houve aumento de 33% para 38% em tentativas de golpes registrados pela Febraban Tech, evidenciando a escalada das investidas contra pessoas e empresas.

Práticas Essenciais para Proteger Seus Dados

Adotar rotinas e ferramentas corretas reduz consideravelmente o risco de ter seus dados comprometidos. Foque em comportamentos conscientes e preventivos para manter a segurança.

  • Não salve dados do cartão em sites ou aplicativos; prefira usar cartões virtuais temporários e seguros.
  • Evite redes Wi-Fi públicas e, se não tiver alternativa, utilize uma rede privada virtual criptografada para proteger sua conexão.
  • Tenha um cartão exclusivo para compras online, com limite controlado para minimizar impactos em caso de fraude.
  • Habilite autenticação de dois fatores (2FA) nos serviços bancários e lojas virtuais.
  • Ative alertas de transações por SMS e e-mail para monitorar suas finanças em tempo real.
  • Use senhas robustas, únicas para cada serviço, e guarde-as em um gerenciador de senhas seguro.
  • Desconfie de promoções muito atraentes e cheque sempre em canais oficiais antes de passar informações.
  • Instale software antivírus e antimalware em todos os dispositivos, com atualizações automáticas.
  • Revise extratos regularmente e contate o banco ao primeiro indício de movimentação suspeita.
  • Verifique se o site apresenta HTTPS e selos de segurança legítimos antes de inserir dados de pagamento.

Implementar esses hábitos no dia a dia cria uma camada adicional de defesa e torna a experiência de compra muito mais segura.

Tecnologias e Normas de Segurança

Além de mudanças de comportamento, há padrões técnicos e regulamentações que fortalecem o ecossistema de pagamentos digitais.

Para operar dentro de um Ambiente de Dados de Titulares de Cartão (CDE), as empresas devem seguir essas normas, reduzindo significativamente as chances de vazamentos. Além disso, a LGPD regulamenta o tratamento de dados pessoais no Brasil, impondo multas a quem descumprir suas diretrizes.

Carteiras digitais com biometria, chips EMV e autenticação multifator vêm ganhando espaço, oferecendo alternativas cada vez mais intuitivas e seguras para pagamentos online e presenciais.

O Papel do Consumidor e das Empresas na Segurança Digital

A proteção de dados é uma responsabilidade compartilhada. O usuário precisa adotar comportamentos preventivos e as empresas devem aplicar padrões rígidos de segurança.

Consumidores conscientes conferem regularmente limites e movimentações, atualizam senhas e exigem condições mínimas de segurança em sites e aplicativos. Quando identificam fraudes, registram boletim de ocorrência e solicitam estorno rápido junto à instituição financeira.

Consumidores também têm direitos protegidos pela lei, como o prazo de até 90 dias para contestar cobranças indevidas e a obrigação dos bancos de oferecer canais ágeis de suporte e ressarcimento. Conhecer esses mecanismos fortalece sua defesa.

Do lado corporativo, varejistas e prestadores de serviços devem investir em criptografia, segmentação de redes, treinamentos de equipe e auditorias periódicas. A conformidade com PCI DSS e a adesão à LGPD demonstram comprometimento com a transações financeiras online de forma segura e com a confiança do público.

Conclusão e Próximos Passos

As fraudes com cartões online representam um desafio constante, mas podem ser mitigadas com atitude e tecnologia. Comece implementando um cartão virtual, ativando 2FA e monitorando notificações de transações.

Cultivar o hábito de checar extratos e manter sistemas atualizados é tão vital quanto usar um antivírus de qualidade. Cada medida conta para criar uma barreira eficiente contra invasores digitais.

Considere ainda avaliar serviços de monitoramento de crédito e seguros para compras online, garantindo proteção adicional. Fique atento a novas tecnologias e mantenha-se informado sobre as melhores práticas de segurança.

Por fim, compartilhe esse conhecimento com amigos e familiares, fortalecendo a comunidade. A segurança online depende de cada um de nós: adote essas práticas e proteja seus recursos com consciência e responsabilidade.

Por Lincoln Marques

Lincoln Marques