Gestão de Ativos: Sua Bússola para Investimentos Consistentes

Gestão de Ativos: Sua Bússola para Investimentos Consistentes

Em um cenário empresarial repleto de incertezas, decisões de investimento podem significar a diferença entre crescimento sustentável e colapso financeiro. A gestão de ativos atua como uma bússola, apontando o melhor caminho para maximizar valor, reduzir custos e mitigar riscos ao longo de todo o ciclo de vida dos recursos corporativos.

Este artigo desvenda conceitos, fases, desafios e práticas recomendadas para implementar uma estratégia robusta de gestão de ativos, alicerçada na ISO 55000:2024, oferecendo orientações práticas para líderes e gestores.

Definição e Conceito Central de Gestão de Ativos

A gestão de ativos engloba as atividades coordenadas de planejamento, aquisição, operação, manutenção e descarte de bens tangíveis e intangíveis. Seu propósito é extrair o máximo valor desses recursos, equilibrando os custos de aquisição e manutenção com o desempenho e o risco associado a cada ativo.

Segundo a norma ISO 55000:2024, ativos são bens sob controle da organização que contribuem para atingir objetivos estratégicos. Isso inclui desde máquinas em linhas de produção até softwares especializados, patentes e reputação de mercado.

Ao adotar práticas alinhadas a padrões reconhecidos, as empresas garantem não apenas maior controle orçamentário, mas também visibilidade transparente de seus investimentos e maior grau de previsibilidade.

Ciclo de Vida dos Ativos

Gerenciar o ciclo de vida dos ativos significa compreender cada fase e sua importância para a saúde financeira e operacional da empresa:

  • Planejamento: Nesta etapa, são identificadas necessidades de capital e avaliados obstáculos nos processos existentes. Estima-se o ROI potencial e definem-se metas que permitam alinhar a aquisição de novos ativos aos objetivos estratégicos.
  • Aquisição: Com base no planejamento, adquirem-se bens ou licenças, considerando fornecedores, condições de financiamento e contratos de manutenção. A transparência nesse momento evita custos ocultos e garante conformidade.
  • Operação e Manutenção: Após a entrada em operação, executa-se a manutenção preventiva e corretiva, visando manter a disponibilidade e confiabilidade máximas. Ferramentas de monitoramento em tempo real ajudam a antecipar falhas.
  • Monitoramento e Avaliação: Métricas de desempenho são rastreadas continuamente. Indicadores como MTBF (Mean Time Between Failures) e MTTR (Mean Time To Repair) fornecem dados para tomada de decisão e ajustes no plano de manutenção.
  • Descarte ou Substituição: Quando o custo de manutenção se aproxima ou ultrapassa o valor de reposição, opta-se pela substituição. Avaliações de depreciação e valor residual orientam o destino adequado de cada ativo, seja venda, reciclagem ou descarte.

Cada fase exige processos bem documentados e equipe treinada, garantindo que informações críticas não se percam e que as decisões sejam baseadas em dados confiáveis.

Diferenças com Conceitos Relacionados

Para evitar confusões, é fundamental diferenciar gestão de ativos de outros termos frequentemente utilizados no meio corporativo:

A gestão de manutenção concentra-se nas atividades diárias de conservação dos ativos, enquanto o Enterprise Asset Management (EAM) oferece soluções tecnológicas para rastrear fisicamente o patrimônio. Já a gestão de ativos de TI (ITAM) dedica-se ao inventário de hardware e software, assegurando aderência de licenças e contratos. O Asset Performance Management (APM) vai além, enfatizando a saúde dos equipamentos por meio de análises preditivas e medição de confiabilidade.

Ao entender essas nuances, líderes podem implementar uma abordagem integrada, aproveitando o melhor de cada área sem duplicar esforços ou desperdiçar recursos.

Importância e Benefícios de uma Gestão Robusta

Uma estratégia bem estruturada de gestão de ativos gera valor em diferentes dimensões:

  • Eficiência Operacional: A manutenção planejada reduz paradas não programadas e elimina custos extras com reparos emergenciais.
  • Redução de Custos: Ao monitorar depreciação e ciclo de vida, evita-se a aquisição precoce de novos ativos e o prolongamento desnecessário do uso de itens obsoletos.
  • Conformidade e Sustentabilidade: Processos padronizados asseguram atendimento a regulamentações ambientais e de segurança, promovendo práticas responsáveis.
  • Visão Estratégica: Sistemas integrados oferecem dashboards com indicadores-chave, facilitando decisões baseadas em dados e antecipando gargalos.
  • Retorno sobre Investimento: A priorização de projetos e recursos de acordo com a criticidade dos ativos maximiza o ROI de cada iniciativa.

Em uma indústria automotiva fictícia, a revisão anual de processos de manutenção, aliada a sensores IoT, reduziu o tempo de parada em 30%, gerando economia de milhões de reais ao longo de três anos.

Passo a Passo para Implementar Gestão de Ativos

Implementar uma política eficaz exige disciplina e envolvimento de toda a organização. A seguir, um guia prático alinhado à ISO 55000:

  • Inventário Detalhado: Catalogar ativos físicos e intangíveis, incluindo especificações técnicas e valores contábeis.
  • Política e Estratégia de Ativos: Definir metas, indicadores de performance e critérios de priorização, alinhados à missão e visão corporativas.
  • Planos de Ação: Estruturar processos de aquisição, manutenção e descarte, atribuindo responsabilidades e prazos claros.
  • Execução e Documentação: Utilizar checklists digitais e ordens de serviço para registrar todas as atividades, mantendo histórico confiável.
  • Monitoramento Contínuo: Acompanhar KPIs, analisar tendências e ajustar planos conforme resultados e feedback das equipes.
  • Revisão e Otimização: Promover auditorias internas, identificar falhas e implementar melhorias, incentivando a cultura de excelência.
  • Ferramentas Tecnológicas: Adotar plataformas EAM/ITSM que integrem ativos fixos, móveis e remotos, fornecendo dados em tempo real.

Esse roteiro facilita o amadurecimento dos processos e impulsiona a criação de um setor dedicado à gestão de ativos, fertilizando o terreno para inovação contínua.

Desafios e Melhores Práticas

Apesar dos benefícios evidentes, a implantação enfrenta barreiras comuns:

• Inexistência de inventário atualizado, levando a decisões baseadas em supostos e não em fatos.

• Subutilização de ativos, causando desperdício de recursos e aumento de custos fixos.

• Falhas inesperadas pela falta de monitoramento preditivo, gerando paradas críticas na produção.

Para superar essas barreiras, adote as seguintes melhores práticas:

1. Desenvolva programas de capacitação e envolva stakeholders de todas as áreas para consolidar a cultura de gestão.

2. Invista em soluções de mobilidade e IoT, garantindo que equipes de campo tenham acesso a dados em tempo real.

3. Realize revisões periódicas das políticas, ajustando indicadores e processos de acordo com mudanças no mercado e na tecnologia.

4. Estabeleça uma governança clara, definindo papéis, responsabilidades e níveis de autoridade para decisões relacionadas a ativos.

Ao seguir essas recomendações, sua organização estará preparada para enfrentar desafios e transformar a gestão de ativos em diferencial competitivo sustentável.

Em última análise, a gestão de ativos não é apenas um conjunto de tarefas operacionais, mas uma diretriz estratégica essencial para empresas que buscam longevidade e crescimento sólido em um mundo imprevisível.

Por Yago Dias

Yago Dias